sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

eu

Eu, sou atravessada pelo que vem do puro supra-sumo
de cada uma das humanidades que me interpelam diariamente.

Não quero apenas ver as cores, mas sim,
respirar os raios das cores que meus olhos assistem.

Não quero apenas beijar, mas sim,
nascer, crescer e me eternizar na
doçura onidimensional dos lábios que almejo.

Não quero só sentir,
mas ser o próprio sentimento.

Não vou viver como me disseram para ser,
mas como unicamente eu
quero e posso sentir.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

leveza insustentável

Não tem jeito!,
para poder voar,
é necessário saber cair,
saber levantar,
e aceitar o tombo.

Se entregar, é como
que correr o risco
de de repente
encontrar o vazio.
Um vazio cansado.

Amar é adimitir alguma renúncia,
mesmo que por que milésimos de segundos,
mesmo que de mentira.

- E essa dor caminha por uma nova fenda em nós a cada vez -


E tudo isso,
é para não enlouquecer,
não petrificar,
não morrer por dentro,
nem apodrecer.
E poder sempre
amar, amar e amar.

domingo, 6 de dezembro de 2009

sensível

Coragem não se vê nem toca, mas existe e constrói vida. Assim como a confiança, o medo ou a vontade.
O gás que nos faz respirar não tem cheiro, nem cor ou textura...
O preconceito e estupidez que mataram a adolescente obesa, o menino que gostava de meninos e outro que entendia mais de sensações do que de máquinas, são constituídos só de palavras. Mas o efeito é o mesmo de uma faca ou um revólver.
A sensibilidade é nossa capacidade humana de sentir: é inadmissível continuarmos agindo como se devessemos controlá-la ou programá-la. É essa atitude que nos faz enfêrmos e reféns de nossa própria medonha preguiça em acreditar na possibilidade de existência que toda forma de sentir pode ter.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

maré alta













Existe um mar dentro de mim.
Por vezes, vai escurecendo,
a maré fica alta,
e nós transbordamos
- o mar e eu -
muitas vezes, também chove,
vira tempestade de ondas gigantes.
Daí em diante, a visão turva,
e já não sei mais se sou
o mar ou um barquinho tentanto velejar.
O céu desaba em infinitas gotas,
que desaguam no mar,
que desagua no barco,
e dessa confusão de águas turbulentas...
desaba eu.
Depois, é torcer.
para que os olhos abram logo,
quando o sol esquentar o corpo,
e junto dele,
o coração.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Rabiscos sem grande valor poético

Convenhamos, ser mulher é maravilhoso! Mas alguém podia me explicar o porque da TPM?
Imagina uma pessoa que sente tudo de maneira muito intensa - e só assim
sabe viver bem - imaginou? Agora imagina que essa pessoa é mulher, e está
na sua tensão pré-mestrual, que na verdade, acontece antes, durante, e às vezes
depois do 'maravilhoso' período. É um choro não choro. Fico não fico. Vou não vou. Escolho não escolho... Poxa, é difícil controlar isso. É muito sentimento junto
para administrar. Muita vontade junta para esperar. Muita ansiedade junta
para descansar. Paixão, amor, ódio, medo, saudade, cansaço que não cessa.
Tudo junto e misturado feito as lembranças na minha cabeça.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Uma inspiração

Vejo em ti um mundo vasto, longíncuo.
Com profundidade imensurável.
Um lugar de intensidade que comove a gente.
E é com esse lado de dentro vibrante
que te vejo carregar o peso de teu corpo no mundo.
A beleza que transborda de teu olhar
cativa minha alma.
E na esperança de que tal lugar de vida
onde você mora, seja semelhante
ao que movimenta meu ser,
me ponho a ferver por dentro
com vontade de na vida, viver
tudo aquilo que me toca.
Na verdade, a única via para perseverar
é acreditar-se e doar-se:
e isso transborda em você quanto te olho,
mostrando luz brilho e beleza.
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Ufa!... que bonito, revitalizante e inspirador é te ver
viver.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

mais especulações

O ser humano e a vida são as coisas mais abstratas que existem. Nós: bicho homem e bicho mulher, gente, homo sapiens sapiens, temos a capacidade de entender e pensar o universo, mas como explicar a morte e o fim (de tudo)? Nós que só sabemos da vida, dos sentidos, sentimentos e desejos que nela vivemos. O que nos resta é ter fé em alguma coisa: deus, buda, espiritismo... e milhões de grupos que tentam explicar ou achar sentido na morte, na dor e no fim. O que veio antes e depois da vida – e digo em relação a todas as formas dela? Só o que temos são especulações que prometem paz e descanso para depois do fim; talvez sensações nunca sentidas em vida, como se fossemos viver num lugar cheio de luz e esplendor (parece até a bíblia falando né?!).

Eu, em nada do que vem depois acredito. Mas ainda assim, acredito num deus como algum tipo de ‘força’ que existe em qualquer forma de vida, e durante ela só, pois do fim nada sei. Também em vida podemos ter luz e paz, e essa é minha fé, minha utopia: tentar permanecer em momentos de graça na maior parte do que conheço como tempo.

Saber que no fim de tudo nem terei a possibilidade de desfrutar qualquer sensação parecida com as que tive em vida, me põe a querer me entregar ao que amo, ao que me desperta algo que não tem palavras para explicar, mas que muitas pessoas chamam de alegria, paz, tranqüilidade, nirvana... e mais uma porção de nomes inventados. Eu concordo, quero em vida (mesmo que só fossem três dias) praticar o máximo de sentimentos e sensações que me agradam, do gozo ao nirvana.

Enquanto escrevo estas palavras de amor e paz, muitos dizem que o universo está para acabar, muitos passam fome e frio, muitos morrem esfaqueados, e muitas maneiras de se provocar o fim assustam a forma de vida pensante. Eu, também me assusto e desacredito muitas vezes, porém me forço a ter fé e me agarrar em algo que me dê prazer; por muitas vezes choro, mas na maioria delas tento ter fé nos segundos que estou me vendo viva, mesmo sabendo que o fim desconhecido irá chegar cedo ou tarde. Pudera eu saber de alguma fórmula que estimulasse a vontade e o ânimo de vida, mas sou só a tentativa quase constante de ser e estar feliz e iluminada. Do gozo ao nirvana: cada um da sua maneira.

Enfim, já começo a sentir outra vontade, diferente de escrever... e outra, e mais outras.

domingo, 13 de setembro de 2009

obra de arte : minha vida

constante.
alerta.
séria.
nenhum vento que possa derrubar
nenhum terremoto que mude o destino
nenhum fato que não possa ser reorganizado.
as dores que vêm só constroem,
as feridas que abrem só desenham o caminho,
os calos que cresecem só moldam o corpo,
e as decepções só confirmam a idéia.
se não for isso, não sei mais nada.
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não tenho tempo para a solidão,
nem para união.
os espaços e a força toda que de mim sai,
convergem para o mesmo ponto:
irremediável.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

uma madrugada

insônia.
o que se fazer durante a madrugada, sozinha?
poderia falar, gritar, cantar ou recitar um poema,
mas provavelmente as pessoas próximas não gostariam.
poderia também tatear-me com dedos até que meu corpo cansasse.
Mas não...
o que quero vai além disso.
eu quero correr o mundo inteiro,
quero me esbanjar de vida até o último pulsar do meu corpo.
quero enlouquecer e ser enlouquecida
começando pelas coisas simples até as mais inusitadas.
sei que correr o mundo todo é quase impossível,
e que tocar o sol é indiscutível.
mas é essa vontade correndo dentro de mim, que me põe de olhos arregalados
a escrever, e sentir, e escrever entre lágrimas e suor.
Não espero levar nada dessa vida, sendo assim,
cá estou eu, a inventar formas de existir.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

vigília

Desatinado coração vagabundo!
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Agora é a hora do plantio:
preparar a terra;
escolher e aconchegar as sementes;
observar em vigília o crescimento.
É trabalho constante,
corpo e mente descansam só o necessário.
e de resto, é transcender a dor
e superar a espera,
e a dúvida.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Questão

E no meio de tanto desencontro, será que ainda existe um par de olhos que saibam olhar de perto? Livre de qualquer costume ou ordem lógico-racional? Simplesmente olhar, como quem tenta descobrir e conhecer um novo universo a cada segundo que se passa, como quem quer saber o indizível.

domingo, 23 de agosto de 2009

Zelo

É coisa que não se explica:
isso de existir eu e você na vida.
A verdade, é que teu riso
é melhor que Caetano Veloso...
Certa vez me disseram que certas coisas são eternas,
e ainda não entendi o que é isso
de ser eterno.
Mas sei de algo que é sempre:
meu carinho por você.
Você ilumina meu jeito de ser,
e ser do seu lado, é uma honra.
Na real Vinícius,
eu te amo.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Rest la maloya

Se existe um sonho e um projeto de vida, é necessário disciplina, dedicação e esforço. É preciso se concentrar nos desejos. Tenho muitos, que são grandes e difíceis, mas a vida exige coragem e grandeza. Serei perceverante naquilo que quero, pois caminhos podem ser construídos, basta garimpar: as pedras, a montanha e seu olhar.

Presente Precioso

Presente é um chamêgo, um carinho que oferecemos para quem amamos, tentando expressar de alguma maneira o quão bela e intensa é a oportunidade de ter esse outro ao nosso lado. Um presente é como um convite à vida que fazemos e que fazem à nós. Presente sempre incrivelmente bom, é dividir a vida com amigos amantes da alegria de ser gente.

domingo, 9 de agosto de 2009

Dia 9 de Agosto de 2009

Então, o que fica disso tudo que vivemos?
Nada! É só o presente que temos.
nada.só encontros que acontecem no aqui e agora.
nada.. apenas vontades que nos interpelam.
Somos então, feitos e feitas de que? de deus?!?
carne, ossos, veias, orgãos, um corpo
e infinitas possibilidades de sentir a nossa existência no mundo
através de nossa matéria física.
Somos do corpo ao infinito
até que nos transformemos em terra,
pó, poeira estelar...
Luz? é sentimento,
ou aquilo que chamamos de fé.
A alma mantem o corpo altivo.
Se o corpo enfraquece a alma perde o sentido
se a alma não sente, o corpo não tem mais porque.
Pois então,
vivamos!

sábado, 1 de agosto de 2009

Devaneios

Eu descubro o mundo, porque quero saber daquilo que amo.
Quero saber todas as maneiras de sentir o que escolhi amar.
Eu quero Ser vida no amor e amor na vida do que amo.
E para tanto mundo que quero descobrir enquanto viva de amor,
Tenho que amar sempre. Amar o simples fato de estar viva.
E poder tirar desta vida, infinitos momentos de graça.
Por isso quero descobrir o mundo, quero amar, e quero viver.


A vida sem o amor não é completa.
O amor sem a vida não é completo.
Aquilo que é amado, sem vida e sem amor,
Nunca se completa.
E também não se completa quem ama
Sem amor e sem vida.


Quando alguém une vida e amor
Naquilo que é amado,
- e ama porque Quer amar –
A dor e a tristeza não mais machucam.


Vida é viver se permitindo infinitas formas de existir.
Amar é ser vida.

domingo, 26 de julho de 2009

Poema brega para um dia sem expectativas

Deixa eu te olhar um pouco? Hoje o dia calado está, e talvez teu brilho de existir possa batucar meus segundos. Somente olhar-te sem mais quereres. É porque tua forma corpo enche o meu peito de mar. Suas ondulações de vai e vem quando quebram, seja em rocha dura ou na imensidão do azul aquoso, me fazem ver que tudo permanece, como teu rosto no meu olho, que vai direito em minha comoção. Me comove ouvir teu sussurrar baixinho, cantarolando essa melodia meio doce meio arco-íris que faz ondas de calor em meu entardecer. Enquanto isso, o céu vai mudando de cor,eu te olho ainda sem saber se posso, e aquela dorzinha à toa vai se embalando no vai e vem do meu furor e se dissolve toda no saculejar que estes meus olhos permitem-me sentir, e esta minha pele permite-me ouvir, e com os ouvidos posso ver, e com o nariz saboreio. E quem sabe, depois de tanto olhar-te, você queira saber de quem são estes olhos que te refletem no mar.

Um pouco de (a)mar

Dentro do mar despejo
todos os meus anseios.

Tem coisas que gente humana
não sabe dar nome.

Deixo então que o oceano
banhe de respostas marítimas
as perguntas de meu viver.

Dedos de poesia

Em dois dedos de prosa,
cabe tudo quanto é folia.
Folia de dentro, aquela que vem
Do supra-sumo que faz vibrar a vida.

Para a poesia, basta a vida,
para a vida, basta nascer.
Não precisa rima, forma nem diploma,
a poesia vem de perto.
Ela pulsa nas veias da mulher do homem da criança do velho da preta do negão do viado da sapatão do... da....
não pára de nascer a cada instante de vida,
um pedaço de poesia.

Em dois dedos de prosa, mais de vinte dedos de alegria
tesão, tristeza, horror, atitude...
A poesia existe em cada poro que transpira a vida,
em cada pêlo que arrepia a alma.
Sol, lua, brisa, boemia
tudo cabe na folia do coração.
Basta se dar à vida.
E melhor ainda,
se for no embalo de uma canção.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

!?Perfil?!

Sou ser humana, bicho gente. Tenho dentro de mim milhões de caminhos, escolhas, possibilidades e desejos. Ao mesmo tempo que choro de tristeza, tenho imensa felicidade. Me comovo tanto com o pôr-do-sol quanto com uma novela das oito. Mulher? Brega? Estranha? Que se explodão os nomes que me dão! Só sei ser com intensidade, só como se tenho fome, e amo se tenho desejo. Não! Nunca tive nem terei vontade de tocar apenas um corpo, ou de olhar apenas uma maravilha. Sou feita de corpo, alma e suor, quem quiser gostar de mim... sou.assim. Quero quanto mais!, daí me chamam de leonina, egocêntrica, jovem... mas o que farão esses nomes tão engajados pelo meu quereres? Me componho e decomponho a todo instante, e que não me peçam para ser constante, pois a letargia se parece muito com a idéia que tenho de morte. O que sobra de mim acaba sendo esses versos do passado, porque todo o resto é feito da mesma matéria que meu corpo: poeira estelar, grão de arei, pó de madeira comido pelos ácaros. Ardo por dentro; ópio, arte e amor me alimentam e quanto mais escrevo mais vazia vou ficando. Isso que digo ser eu já ficou no tempo foi. E minha luta incessante é manter a chama de dentro acesa; luz quente que borbulha misturando todos os sentidos, temperaturas e estados... até explodir.

sábado, 20 de junho de 2009

ai!-límaf

Eram elas tão secas de sorrisos,
Tão ansiosas por aquele abraço.
Pois, elas tinham muito amor,
E ao mesmo tempo
Um temor do fim.
Nunca entendi o porquê de nossos braços se desencontrarem tanto.
Afinal, o sentimento sempre foi recíproco.
Mas algo enraizado na pele de nossas histórias (ou seria na alma?)
Impedia que nos aconchegássemos.
Dado isto, temos agora uma dor,
Um lugar de incompreensão,
Letargia, pasmaceira, às vezes raiva.
É, as coisas vão indo...
(...)
Acontece um dia d’a gente perecer,
E o abraço que nunca mais floreceu
Murchar até sumir.
É...
Isso sim, seria de enlouquecer.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Pôr-do-sol

Na imensidão de todos os sentidos
Imersos no azul anil de uma tarde
Crepuscular,
Encontrei-me nua, organicamente dilatada em vida,
Trançando os sentimentos
De uma vida inteira.
Uma vida inteiramente intensa,
Dentro de três corações quentes de amarelo solar.
Falamos de rosa, azul, amarelo...
Enquanto o tempo na sua cadência
Ia levando nossas almas para um
Lugar eterno, completamente inteiro
De amor.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

o Outro

Eu e o outro. Nós. Uma tensão, uma chance. Sempre uma expectativa?!
Nós: troca orgânica de acidentes, humores e paixões. Eu e o outro sempre: qual é o limite do fim e do começo desse encontro? De que maneira ele continua? Eu e o outro,eu e a outra, eu e você, nós: sempre uma construção de possibilidades existenciais. Nós: rupturas e continuidades - incessantemente.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

"Vou adiante de modo intuitivo e sem procurar uma idéia: sou orgânica." CLARICE LISPECTOR

E de repente, chega a hora da tormenta, quando corpo e alma entram em rebuliço. É uma vontade intensa de existir... será isso apenas sexo? Talvez não, é um desejo de me expandir, de me sentir organismo latente dentro do universo. Latente, expansão, intensidade... palavras que quando escritas, podem até remeter ao sexo, ao tesão, às práticas de sedução entre corpos. Mas quero ir mais além, penso em um ser dilatado no que ele próprio é, um ser dilatado em si: um organismo vivo, parte da natureza, parte do planeta terra, parte do universo. Nessas horas de tormenta – ou tensão, ou vibração, ou latência, etc. -, é quando o corpo e a alma querem deixar-se ir... querem sair da pasmaceira cotidiana de viver um dia após o outro dentro de nossas cidades, dentro de nossa civilização cheia de pudores e cristianismo. Parece que todo o potencial orgânico-humano que o ser humano pode ser, foi abafado, ‘higienizado’ pelas nossas ‘saudáveis práticas sociais’. O encontro com o outro ser humano é sempre um choque. Quando intensidades se encontram, é necessário olhar no livro de bons modos para saber como agir. Somos seres conscientes, e se criamos um pensamento lógico, racional, coercitivo... também somos capazes – e podemos – de expandir o foco, de aumentar as possibilidades de existência. Pensar a vida consciente de que sou uma pequena parte orgânica de todo um universo planetário é perder-me do tempo, é simplesmente ser, existir. É perigoso pensar e sentir que estrelas, a água, o vento, as montanhas, o sal do mar e a areia, uma árvore, a terra, a lua, o cristal que fica pendurado no meu pescoço são extensões do meu corpo, pois eu existo também na água, na chuva, na brisa que movimenta as folhas e as árvores. E eu, e você, somos tudo isso ao mesmo tempo, existimos juntos, somos partes de uma mesma coisa, estamos imersos na organicidade do que tem vida.
(...)
Mas as palavras, são meras tentativas fracassadas de tentar traduzir a completude do que sinto ser um ser vivo. Estas palavras não sabem ainda do calor do meu corpo intenso e ávido de vida, elas não sentem ainda a magnificência de ser viva. Mas são elas que tenho agora, sentada na cama durante a madrugada, me extasiando por saber-me de mim que viva sou, e que sou – somos – a extensão, a continuação, uma parte mais de tudo o que é vivo no universo...
(...)
Amanhã é mais um dia comum – e aqui volto à contagem do tempo – vou me lembrar e me unir às outras partes de mim – com verdade – para que eu não enlouqueça de cotidiano ao extremo, para que esses encontros corriqueiros e superficiais com o outro, que nós nos acostumamos a chamar de vida, não me sufoquem por falta de vida, falta de ar, falta do orgânico.
(...)
Como diria Clarice... momentos de graça existem.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

aspirar, espirar

ah... convenhamos...
de repente, a gente desabrocha.
às vezes em segundos apenas,
às vezes durante vários minutos,
às vezes com seres distantes e
próximos ao mesmo tempo...
o que é a vida, senão um constante
reconhecer-se no outro?

terça-feira, 5 de maio de 2009

Então, se somos um,
cuidamos, amamos e nos iluminamos.
Se você é um outro de mim,
podemos dançar os sorrisos na brisa
de uma batucada...
Se somos você e eu juntas e juntos,
o momvimento das mãos, dos olhos,
dos cantos e recantos de nossos corpos
podem entrar em sintonia.
Somos então,
espíritos tocados e tocantes.
Se os seres podem unificar-se dentro
da energia do universo,
cada momento da vida é todo intenso,
passado, presente e futuro ao mesmo tempo.
O tempo se torna um,
como você e eu.
Assim nasce o amor:
dentro de um único tempo,
de uma única dimensão,
e de um único ser que é semelhante ao outro.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Ca-la-da

Deixo então, que venham a mim
todos os fragmentos do que não fui,
do que está a desejar.
Já que a voz emudeceu,
não há mais o tempo da procura,
nem o tempo da espera,
nem o tempo do diálogo,
nem o tempo da resposta...
apenas o tempo ser
e existir
no sumo da insustentável leveza do ser.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Perder

Perder algo ou alguém,
não é apenas deixar o outro ir,
mas também,
se deixar ir junto com o outro
É deixar um pedaço de si,
distante de si.
Deixar-se ir, é como que
descolar um pedaço de pele,
é ter de existir em outro espaço,
ter de se extender em outro corpo.
Deixar-se ir, é renunciar a si mesmo,
renunciando o outro
- vonluntária ou involuntarimente -
Renunciar a si, é perder-se, é morrer
um pouquinho mais,de pouquinho em pouquinho...
Renascimento? Penso que existe a construção!
Porém a morte é peso denso, profundidade longíncua.
e não há vida alguma que escape da morte,
e não há morte alguma que não possa ser vivida.
Talvez viver a morte, seja enfim,
a última esperança.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Dentro de uma bolinha de gude transparente

"Tem hora que é melhor o silêncio.De ver coisa assim até a fé da gente
se abala. A voz cala. E sobe uma dor pelo peito..."
São essas, as horas enfumaçadas, horas de ser a senhora celofane,
a hora que o olho vira para dentro, as horas que o corpo perde o toque,
perde o jeito o molde a forma o movimento.
Peder o movimento do corpo é me perder toda,
é como se eu estivesse dentro de uma bolinha de gude rolando com a ajuda de pés alheios, indo para qualquer lugar.
Dentro de uma bolinha de gude completamente branca: sem cheiro, sem recorte, sem corpo, sem nome, sem voz, sem... o movimento
de vida.

quinta-feira, 12 de março de 2009

A ilusão de não viver

Existem milhões de dores..
tantas infindas,
tantas mortais,
tantas indescritíveis.
As dores não acabarão,
o poço vai continuar chegando no fim,
os ossos vão continuar chegando no fim.
Mas de todas as dores
- das quais sou completamente incapaz de compreender -
ainda fica algo pulsando
mesmo que seja esse algo,
a mentira que criamos para pulsar,
aí tudo fica bem simples:
pulsamos por algum motivo,
mesmo que esse motivo
seja a vontade de não mais pulsar.
Alguma coisa nós pensaremos,
algum gosto sentiremos,
alguma vontade sentiremos,
mesmo que seja a vontade
de chegar ao fundo do poço.
É ilusão pensar que não se vive,
sentir que a morte chegou...
porque a morte é inconfundível.
Na morte nada existe,
nem a dor existe.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Seco

O dia-a-dia é um algo seco.
principalmente quando não sou
sensibilizada por um certo
momento de graça.
Segue o seco das horas,
dos afazeres de obrigação.
Engulo o seco do desgosto
de fazer um outro gosto.
É como se fosse uma pasmaceira
que pairasse sobre tudo ao redor.
Nessas horas a seco, queria
poder apertar um botão de desliga...
mas nós sabemos que desligar
é proibido.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

(in)definindo

Dentro de mim cabe de tudo
e tudo é muito indefinido,
e ao mesmo tempo esse indefinido
é o que vai me definindo,mas
sem dar forma final e acabada.
pois quanto mais de tudo eu sou
mais indefinida me torno.
Definir: dar a explicação de
toda a minha indefinição.
Me indefino para me definir,
e é me definindo que acabo
indefinida.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Não somos seres especiais!

Convenhamos, as árvores crescem, nascem e morrem, assim como os cachorros, assim como os peixes, assim como os rios, e assim somos nós seres humanos, e talvez até poderíamos pensar, num plano metafórico por exemplo, que o que o homem produz como carros, casas, aviões, dinheiro, relógios, etc., de certa forma também nascem (e este é o dia em que ficam prontos) e morrem (o dia em que não são mais úteis). O ciclo, digamos que, de vida que todo ser vivo ou o que ele produz é bastante semelhante em toda a classificação de seres vivos... Mas eu me ponho a pensar na seguinte questão: porque nós seres humanos acreditamos ser mais especiais do que os outros, ou evoluídos, que seja?

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Eu, particularmente, ando pensando na seguinte questão: se nós tivermos sorte, teríamos um tempo de vida estimado em oitenta anos – muitas árvores e tartarugas por exemplo vivem bem mais – e ainda continuamos menosprezando, tratando com desprezo, maltratando não apenas os seres “de classificação mais baixa do que a nossa” mas também todas aquelas classes inferiores (como pobres, negros e negras, mulheres, homossexuais, travestis, índios, clandestinos, africanos, etc... devido ao nosso ‘magnífico’ sistema global social.

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Talvez esteja na hora de pensar que todos e todas nós somos apenas uma matéria perecível, que pratica as mesmas atividades que muitos outros seres, exceto pensar e raciocinar (claro que de acordo com o que acreditamos como pensar e raciocinar!), e que se estamos nessa terra desordenada, maltratada, injusta, violenta, amante, excitada, etc, é por pouco tempo, e que talvez seja necessário repensar muitos dos tratamentos que direcionamos às/aos nossos e nossas companheiras de estadia no universo, porque, afinal de contas, se estamos por aqui durante um tempo delimitado, seria melhor nós tentarmos viver com menos agressão, isolamentos, preconceitos, e hierarquias violentas!

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Será que é tão difícil assim?????

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Pensamentos e Ações

Tenho andando sem saber como escrever o que vejo, o que sinto, o que vivo. É fato que viver é ir apre(e)ndendo algumas coisas por onde andamos. Coisas do tipo olhares que cruzam, sentimentos que nos interpelam, perdas e ganhos que vão sendo coletados (quais são jogados fora?). Tenho pensando sobre profissões, sobre arte, sobre quem pode ter e quem não pode ter dinheiro... sobre minha organização diária, sobre os tons, timbres, notas e arranjos musicais que (me) tocam... qualquer movimento do meu corpo por exemplo, já é um caso a ser estudado, mas tem-se que considerar a ciência, afinal, é ela que nos torna "homens", e algumas vezes tornam as mulheres também homens da ciência.
...
Pra mim, é a arte (enquanto pofissão e vida) que me leva à mais agradável estadia na terra - até que a morte nos separe - porém, boa parte do que é dito científico leva ao dinheiro, e a arte muitas vezes leva à periferia das relações sociais, que por sua vez levam também ao dinheiro.
...
Precisamos construir um novo tipo de público. Será que todas as pessoas que perambulam por aí só conseguem (ou só são permitidas a isso?) assistir, escutar, participar e agir (quando agem e participam) através de um só modelo de arte? Talvez poderíamos tentar fazer com que homens, mulheres, crianças de todas as classes, raças, nações e demais orientações de vida particulares tivessem vontade de arriscar algo outro, que também ensina, que também as/os fazem movimentar-se no espaço.
...
A culpa, o pecado, esses certo e errado devem ser urgentemente reavaliados! Pena que essa é uma idéia de poucos, pois muitos satisfeitos estão em continuar o modo "global", "organizado", "civilizado" e "saudável" de ser. Talvez seja mais fácil olhar para uma só parte do universo né?