quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

esse estar mal diário

Meu ponto fraco é não conseguir rir para a nobreza rude.
Meu erro foi ter preguiça de gente estúpida: desaprendi,
ou sequer aprendi a ser simpática com gente antipática.
Insatisfação!
A vontade do justo por aí é mínima diante
da urgência de humanidade no mundo.
O ar das relações, sejam elas quais forem, é escroto.
O que vale é a política do pisar na cabeça do "coleguinha."
O que importa é ser bem grande na mesquinharia.
Mas já não é tempo de descansar um pouco?
A gente age como um bando de louco, oprimindo, humilhando,
trapaceando e fudendo com a vida do outro.
Poxa, será que já não é hora de parar um pouco,
deixar a vida acontecer solta, cada qual do jeito que gosta?
Talvez fosse melhor ter nascido estrela do mar, bicho-de-pé, carrapato sei lá...
qualquer coisa que fosse melhor do que essa imensidão de mal-estar.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

ultimato

Aos poucos,
que acompanhei em silêncio só para estar perto;
que busquei, invoquei, precisei.
_Da saudade da falta da decepção.
Onde desapareci só para ser leve.
Não sou aquilo lá,
mas um tanto mais profundo.
Não sou só silêncio,
é preciso vontade pra olhar fundo;
é preciso verdade pra saber-me a fundo;
é preciso coragem pra se ter orgulho.
Estou criando meus concretos
saibam que a dor se torna ou afeto,
ou deserto.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

o meu ruir

Eu cresci.
meu mundo imaginário também.
meu mundo imaginário se tornou marginal...
não marginal como um elogio,
mas como mundo de me causar arrepio.
meu mundo imaginário se voltou contra mim.
antes fosse só colorido,
mas está também todo doído;
por dentro meu mundo marginal
me deixou na margem de mim mesma.
Olhei-me distante de tudo: sou um 'querendo-ser'.
Antes fosse só miragem,
mas era a pura verdade.
Cai,
me roí,
me rui,
desfiz o feito (quis eu)
porém o mal(feito) já é minha matéria-prima.
Recomeço: irei todos os dias
relembrar toda minha vida
tudo que me foi alegria
tudo que me foi sonho
tudo que me foi desmedida.
Não acredito em milagres,
mas sim, em mudanças feitas a mão.
com suor, sangue e coração.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

transgressão(2)

Chorar é uma válvula de escape,
é minha maneira mais primitiva de exprimir-me na intensidade das coisas.
Quando o choro é detido, nasce outra coisa, sei lá o que é.
Talvez seja esta coisa crescimento,
discernimento,
amadurecimento,
e em casos extremos,
endurecimento.
Mas, vou contra a maré do mais-do-mesmo!
Se eu endurecer por conta de algum tormento,
vou endurecer feito gelo que escorre fácil,
ou como manteiga que derrete logo,
ou então endureço como brigadeiro gelado,
que é pra não perder a doçura na vida.
“Endurecer sem perder a ternura”, a tempos já diziam.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

trangressão (1)

Vou rasgar mais um pouco,
esse véu branco que nos prende:
Aqui entre nós, não existe barreira,
não existe limite,
não existe livreto de boa conduta.
Nós é que escolhemos nossa postura!
Nem véu nem anel:
o que existe é uma porta aberta,
que não se fecha:
porque sabemos que nem todas as portas devem se fechar.
Pra sempre só existe se for agora,
e já aprendemos: contos de fadas não tem nada a ver com asas.
Casa é o que você tem aqui em mim,
e isso é tão concreto como ser.
Não é obrigação, sequer imposição,
mas sim uma fusão.
Entre eu e você atravessam mundos.
Mas você e eu, já somos um mundo.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

a des(construção)

É verdade sim
que eu te amo
te desejo
te sufoco
te provoco
te chamo.
Você me disse, senhorita, que eu podia entrar.
Pois então, entrei!
E nas minhas costas tem um caminhão de defeitinhos.
E nas minhas pernas vários machucados.
E nos meu pés um monte de bolhas.
Logo, fiz do meu chão,
uma profunda superfície tanto quanto instável.
Vez ou outra, cai um defeitinho no seu ombro,
a aparência dos machucados te assusta,
ou meu grito, quando a bolha estoura,
te irrita, e dá desgosto.
Vejo isso no teu rosto.
Só espero que esse meu lado torto
não faça de ti meu satélite,
que eu só observo de longe.
Espero que esse meu lado tosco,
não te aspire a tomar distância de mim.
Isso tudo, é só porque te encontrei ontem,
e ainda me é temeroso soltar-te completamente.
Talvez minha assinatura em sua corrente sanguínea,
ainda não tenha percorrido o corpo todo.
Mas saiba, minha lótus,
essa doença boba já está quase no fim.
É porque o parasita-desengano se hospedou em mim
por milhares de ventos.
Mais alguns diazinhos que eu sentir o teu alento,
essas coisas todas deixam de ser um tormento, viu?
E te deixo voar solta
livre do meu sofrimento.

domingo, 12 de setembro de 2010

você dentro de mim

Pra nós meu amor,
não existe passado.
Qualquer coisa que existisse foi antes terminado
dentro de mim.
Pra que eu pudesse estar vazia
e pudesse te seguir,
livre de qualquer dúvida
que teimasse em existir
dentro de mim.
Dentro de mim,
você ainda não entendeu, mas explico novamente:
qualquer coisa que atravesse nossa mente,
é coisa que pode ser criada dentro da gente.
A partir disso, um mundo nosso é conquistado,
entre cadernos, cantos, danças e qualquer estilhaço eventual da alma.
É que não há nada entre nós, que para nós
não possa existir.
Só peço-te que me estenda a mão,
pra que não pare
dentro de mim,
essa vontade louca de continuar a ir.
Eu e você juntas, somos uma trupe inteira de artistas,
será que você não vê,
que só basta que a gente persista?

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

a linha contínua do amor que temos

Quer saber de onde vim?
Quer saber o que eu trouxe de mim?
Tudo! Um punhado de histórias aqui dentro,
uma verdadeira rede de lamentos,
um atordoado coração em tormento,
e grandes saudades carregadas no pensamento.
Quer saber quantas pessoas passaram aqui?
Quer saber em quantas pessoas eu me construí?
Várias!
Vai me dizer que com você também não foi assim?
Aconteceu que você ultrapassou todos os limites,
chegou onde ninguém sequer pensou em me ser abrigo.
Aconteceu que seu impacto gigante no meu infinito,
sacudiu todas as partes do meu castelo particular,
e fez poeira de todas as histórias que teimavam em me orbitar.
O que houve foi algo idêntico a um terremoto,
que destruiu minhas máscaras,
demoliu minha casca,
e cessou meu luto.
O que houve, anjo,
é que fui tocada com suas digitais,
e as partes de meu corpo se fizeram tuas
e eu, de dura, seca e impura
me fiz diante de ti completamente nua,
de cara limpa lavada e excitada.
Diante de ti fui meu tudo e meu nada
incompleta e completa
perfeita e imperfeita.
Não importa qual a forma,
só sei que me nasci em você.
Agora, a casa que habito é o teu abraço,
de pés descalços,
peito, bunda e choro de criança perdida no espaço.
Olho no espelho e vejo teu contorno em meu rosto,
e todo o resto por ti já é envolto.
Qual um rio que não pede licença porque já sabe o caminho,
você se despejou, derreteu, jorrou, escorreu em minhas entranhas.
E não há mais entrada nem saída sem você.
Me tornei seu pertence, porque só assim
essa vida me convence
de que a linha contínua que nos une,
é muito maior que um passado glorioso.
E que se isso é de fato algo que dá gosto,
não há nada que nos possa ser imposto.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

crio nova-mente

Não importa quantas vezes
o mundo vai girar e mudar tudo, pois,
cada vez que a casa me parecer desconhecida,
meu trabalho será reconfigurar o ambiente:
inventar novas decorações,
aprender novos hábitos,
juntar as peças dos sentimentos que me movimentam,
e desenhar uma nova figura
que dê um sentido importante
ao quebra-cabeças que é a minha vida.

De mim, só sei do que quero,
e das coisas que jamais seria
- logo, tenho parâmetros... mas pra quê eles servem? -
quanto às outras coisas,
tudo se vira, revira, transvira
e se modifica o tempo todo.
Por isso, sigo atenta aos detalhes...
talvez um simples detalhe de um dia,
pode nos surpreender de repente com um amor que há muito não se vivia.
Acaso, ou sorte na vida?

O mundo gira sacudindo as pessoas,
e modificando seus espaços.
Eu sigo me conhecendo,
às vezes temendo,
às vezes correndo,
outras em silêncio.
Eu sou o presente de mim mesma,
e me crio nova em qualquer ambiente que eu esteja.

domingo, 15 de agosto de 2010

meu fel, meu céu

Quer saber?
Tenho ódio sim dentro de mim.
Mas não é ódio dos políticos, nem dos ladrões,
nem dos professores incapacitados,
nem da arte fajuta,
muito menos das pessoas fracas
que não assumem sequer o ruído da própria voz.
Tenho um fel percorrendo minhas veias sim,
mas não é por causa de todos os desastres da natureza,
ou pela falta de humanidade e educação das pessoas,
não...
nem por todas as vezes que fui ignorada quando quis ser útil,
nem pelos mendigos que alimentam a piedade mesquinha das pessoas.
Não é nada disso.
Eu tenho um ódio a mim mesma.
Por todas as vezes que tentei ser
sincera honesta justa disciplinada
e fracassei.
Não por ter sido injusta, desonesta, mentirosa ou preguiçosa.
Fracassei porque essa minha vontade de raridades,
me socou no fundo poço (meu exílio) da mediocridade humana.
a MINHA mediocridade humana.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

conto um conto de desencanto

É, às vezes a gente troca os pés pelas mãos. Outras, na pressa em saciar nossos desejos, atropelamos os cavalos. Mas que ironia... pois sem os cavalos, não adianta carroça, não adianta pressa, não adianta mais nem a vontade. Certa vez, lembro-me de presenciar um fato dilacerante, talvez nem fosse pra tanto, mas eu paralisei, emudeci, e acho que morri um pouquinho – por compaixão ou qualquer coisa do tipo. Era uma criança. Linda! Daquelas crianças que te carregam pra outo lugar, bem secreto, dentro do nosso mundo particular. O ambiente favorecia minha percepção excessivamente sensível daquela pequena: o mar, a areia, as pessoas e as vontades mundanas esparramadas por entre as veias da quase insuportável convivência social. Foi aí que tudo começou. Lá vinha ela, uma menininha loira de olhos castanhos brilhantes, olhando o tanto de mundo que ela a poucos anos tivera a chance de ver e absorver. De repente, talvez pela primeira vez, ela sentiu o gosto amargo de viver: haviam muitas pessoas alegres, muitas crianças alegres, e muitas pareciam ter um pedacinho do céu debaixo dos pés com seus super skates e super patins. Não que ela aparentasse se importar tanto com certos bens materiais, não que ela necessariamente tivesse de sentir isso, mas naquele momento ela parou, o mundo parou. Só havia uma linha, quase como um feixe de raio potente fixado em uma outra criança, que até então só sabia do prazer em deslizar, flutuar em cima de seu skate, que a transformava numa super-heroína. Foi aí que ela sentiu o que era ser diferente, e mais, o que era ter diferente. Seus olhinhos hipnotizados, eram tão profundos que podiam ser emprestados à uma mulher de trinta anos acabando de entender sua solidão no mundo. Vendo isso me arrepiei, e coloquei meu foco nela. Seu corpo duro, imóvel, impávido. Por que eu não posso andar também? Eu sentia a incompreensão massacrante dentro dela. De súbito, ela correu e disse: 'Deixa eu andar um pouco?' E foi completamente ignorada. Sua incompreensão do mundo começava a cauterizar. Nesse momento ela soube menos ainda diante sua pequeneza de infante. Ali, eu vi que teus passos já não mais cresceriam leves. Mesmo sem ser autorizada, quando a outra desceu de seu altar para descansar um pouco, ela abriu um gigante sorriso e com toda vida que podia caber dentro dela, pôs os dois pés bem firmes no skate, talvez como Arthur, o rei, ao retirar sua espada da pedra. Eu vi, talvez ela só quisesse sentir, por um minuto que fosse, como era voar ali em cima. A outra criança, com sua herança de sentimento de poder no peito, empurrou meus olhinhos brilhantes, e ao fazer isso tropeçou caindo em cima da pequena, logo atrás uma bicicleta que não pode ser freada, beliscou um pedacinho de sua perna. Instaurou-se o caos completo. Resultado: mães em conflito, arranhões nas crianças, talvez uma perna fraturada, e o pior, o trauma de uma vida edificado, o endurecimento de um sorriso solto marcado e registrado na pele e na memória. Mas por que ela não pediu pra que a mãe alugasse ou comprasse um brinquedo daquele?? Eu pensei. Eu sim, mas ela não. Eu? Sangrei, ardi, me perdi e fugi! Mas deixei um pedaço morto de mim ali.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

constrangido pedido de desculpas

Não pense que foi descaso
com a poesia que lhe é de bom grado.
Não pense que foi maltrato
com a poesia que também carrego no braço.
Não pense que foi descuido
com a poesia a mim presenteada por ti.
Se duas de mim eu tivesse,
uma cuidaria da burocracia,
e a outra faria só poesia
no seu jardim
no seu poema
na sua casa
na sua casa da palavra
na sua casa poema.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

nas entrelinhas dos desencontros

Colo quente pele a pele,
ansiedade de falar,
risos ininterruptos,
olhares subterrâneos,
luz irradiada.

Fundou-se o abismo: mais de dois mil quilômetros de silêncio;
o impacto da queda parece ter sido maior que o que chamávamos de amor;
ilhada eu fiquei.

Embora o desespero e desnorteio tenham me feito dias doente,
minhas pernas tiveram de endurecer para que eu não parasse de andar;
bastou uma decisão... para que...
o meu coração também se instalasse no estado pedra;
raiva não era o que eu sentia,
apenas desesperança. Talvez confiar seja um mal começo.

terça-feira, 27 de julho de 2010

retrato poético

Antes que embargasse,
achei melhor fechar a boca.
Pensava que me escondia...
meus olhos saltaram,
e molhados estavam,
mas logo ganhei meu deserto.
E aqui dentro é tão vasto!
Me perdi seca...
mas ainda não é hora de esquecer.
Antes,
preciso reencontrar minha nascente.

domingo, 18 de julho de 2010

descobrimento

Muita gente enrolada em panos por aí!
Pra descobrir-se, xi...
é preciso se descobrir,
de dentro pra fora.
---
Depois de perder o medo da morte,
só faltava perder o medo da vida.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

desconstrução

Eu precisei dizer com afinco aquilo tudo,
Mesmo sabendo o quanto ia nos doer.

Eu precisei quebrar o seu altar
e te ver na lama que já era meu próprio lugar.

Eu precisei quebrar tuas asas,
e reaprender o caminho de casa.

Eu precisei desinventar o conto de fadas,
pra entender o peso de uma verdade na cara.

Depois, eu precisei demolir a sala de estar,
pois vi que, eu, não estava mais em nenhum lugar.

domingo, 27 de junho de 2010

vida esquecida

Até meu fim,
eu vou tentando dizer mais sobre a amizade.
Não a amizade de mentira, mas sim,
aquela cujo sentido se entende
na carne, no osso, no olhar, no carinho...
Até meu fim,
eu vou tentando dizer mais da simplicidade.
Não aquela que serve para nos dar status,
mas a que faz a gente chorar e rir de felicidade.
Até meu fim,
vou tentando dizer mais da vida.
Terra, mato, amor e calor humano...
Aquela vida que às vezes muito me dói,
de tanto que vai sendo esquecida.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

mentira

A perda de memória consciente,
é o que mais dói,
pra quem sabe que o outro mente,
e de nossa própria cara
caçoa como um inconsequente.

silenciando

A vida vai silenciando a gente.
Com o tempo, descobrimos que não se pode mais chorar
por um amor impossibilitado de acontecer.
Com o tempo descobrimos que não adianta se revoltar
contra as escolhas de outras pessoas que nos magoaram,
porque na verdade,
nós é que nos permitimos permanecer magoados.
Mas a vida ainda assim vai silenciando a gente,
nossos gritos,
nossos suspiros,
nossos esperneios,
nossas inquietações...
vão se emudecendo e se esvaindo
junto ao balanço da carruagem desilusão.
É. A vida vai silenciando a gente...
e nossas gavetas vão se aglomerando
de passados incompletos
e feridas em aberto,
ao passo de a qualquer momento,
nos esquecermos por completo.

domingo, 13 de junho de 2010

É preciso fluir

Até onde chegamos por uma vontade que nos faça feliz?
Van Gogh colocou a própria mão no fogo e arrancou uma orelha do corpo, - loucura?
Frida Kahlo se carregou e se arrastou até o último limite de seu corpo e sua alma, - libertinagem?
Muitas pessoas amaram, traíram e foram felizes arriscando sua moral, - inconsequência?

Eu sinto que minha loucura foi detida pelos 'bons costumes'.
Mas sei que enquanto não deixar saltar todo esse rebuliço de sentimentos e vontades dentro de mim,
não deixarei minha luz brilhar.
É preciso me libertar de qualquer amarra que me esconda de mim mesma.
É preciso deixar fluir em palavras e atitudes tudo o que ferve dentro de mim.

Gente diferente

Sim!
A vida pode ser diferente.
As pessoas podem ser diferentes.
As relações podem ser diferentes!
Pra que insistirmos em viver soterrados em problemas,
ou limitados pela ganância,
ou imobilizados pelo preconceito?
Não é proibido ser sensível e amar o belo.
Não é proibido sensibilizar-se com o mar,
nem se emocionar com a beleza de lutar
e conseguir um teto onde se morar.
Não é proibido sonhar que um dia
as coisas, de fato, podem melhorar.
Não é proibido deixar-se levar por qualquer sentimento que nos faça brilhar.
Agora me diz, quem foi que apertou o botão 'todos devem ser iguais',
e de repente todo mundo se vestia igual,
pensava igual, embrutecia igual...
e tão de repente quanto,
quem era diferente se tornou indigente,
menos gente e até demente!
Não está certo pegar um monte de gente
e jogar no lixo por puro capricho de quem se acha mais bonito,
mais inteligente mais rico.
Mas o que é isso? Deixa disso minha gente.
Mais e menos só existe na matemática.
Aqui na terra é todo mundo gente,
e talvez o que precisemos, é de uma nova gramática
onde o mais só sirva para
amar mais
sentir mais
sorrir mais
ajudar mais
sonhar mais
respeitar mais
viver mais...


se você não venta, vento eu

O que é isso que me dá?
tão forte que me ponho a transbordar
exalar
respirar
diluir
ventar a vida.
Quanta beleza!
Que força tem essa imensidão diante de meus olhos!
Não quero nunca cegar-me para o remelexo macio do mar,
nem para a inexplicável radiante beleza das montanhas.
Não quero jamais turvar meus olhos
para a estonteante magnitude de tudo que a natureza é.
Esse marzão infindo está banhado de perguntas minhas...
e saudosas lembranças a todo momento vivas.
E na montanha e no mar tem um mundo de pedaços meus,
alegrias
dores
vida de poesia.
(Que fique claro: sou uma pessoa que tem sanidade!)
É que a minha ventania conversa com as águas do mar, com as montanhas
e com todo verde que tenho pra olhar.
E se me perguntarem que loucura é essa
de uma pessoas ventar a vida, respondo sem titubear:
diante da incompreensão de Deus,
da incompreensão do amor, da vida e da morte,
o meu incompreensível eu
pode tudo inventar, até mesmo
inventar que venta sob o luar.

Respira!

Há tantas pessoas,
Há tantos caminhos e possibilidades,
Há tantos sentimentos.
só basta um motivo para que a roda gire,
e faça algum sentido estar ali.
O motivo do aqui e agora aparece
como um presente de vida,
quando olhamos para o lado de dentro de nossas feridas.
Daí encontramos sonhos, derrotas e surpresas
que nos fazem lembrar
de que ainda temos algo dentro de nós
tão forte como o (a)mar.
Nunca vi coisa mais amiga da alegria,
do que ouvir o ritmo que nosso coração
respira.

Nascimento

Nestes primeiros minutos do dia vinte e três de março de dois mil e dez,
anuncio já: estou me parindo!
Não sei bem que espécie de gente humana me tornarei,
mas sinto como se cada fio de cabelo,
cada pêlo, cada pinta de meu corpo estivesse nascendo agora,
nestes mesmos instantes em que eu escrevo.
E percebo que para existir vida em mim,
necessito me parir novamente a cada momento em que o oxigênio
entra e sai do meu corpo.
Me embriago de mim para saber-me.
Por isso derramo tinta poética nesta minha madrugada atemporal.
O que é tempo?
Me encontrei quando desliguei o tempo
e permiti que eu me perdesse em minhas entranhas.
_Encontrar-me em meio ao comichão que trago no peito,
é o sagrado da vida, é o porque de aceitar a morte
e outras dores mais.
----
Não queria deixar-me ir embora...
mas sou começo e fim,
nascimento e morte ao mesmo tempo,
seja lá qual for o meu tormento.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

ser humano


Não sou mulher, sou ser humano.
não sou homem, sou ser humano.
não sou lixo nem bicho, sou, ser humano.
Ser humano-
em-relação
com outro
Ser humano.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

registro seco


Este pasto todo que me engole,
é só a diligência de meu pensamento.
Almejar reais delírios,
é como vendar-se diante ao atirador de facas.