quarta-feira, 25 de março de 2009

Dentro de uma bolinha de gude transparente

"Tem hora que é melhor o silêncio.De ver coisa assim até a fé da gente
se abala. A voz cala. E sobe uma dor pelo peito..."
São essas, as horas enfumaçadas, horas de ser a senhora celofane,
a hora que o olho vira para dentro, as horas que o corpo perde o toque,
perde o jeito o molde a forma o movimento.
Peder o movimento do corpo é me perder toda,
é como se eu estivesse dentro de uma bolinha de gude rolando com a ajuda de pés alheios, indo para qualquer lugar.
Dentro de uma bolinha de gude completamente branca: sem cheiro, sem recorte, sem corpo, sem nome, sem voz, sem... o movimento
de vida.

quinta-feira, 12 de março de 2009

A ilusão de não viver

Existem milhões de dores..
tantas infindas,
tantas mortais,
tantas indescritíveis.
As dores não acabarão,
o poço vai continuar chegando no fim,
os ossos vão continuar chegando no fim.
Mas de todas as dores
- das quais sou completamente incapaz de compreender -
ainda fica algo pulsando
mesmo que seja esse algo,
a mentira que criamos para pulsar,
aí tudo fica bem simples:
pulsamos por algum motivo,
mesmo que esse motivo
seja a vontade de não mais pulsar.
Alguma coisa nós pensaremos,
algum gosto sentiremos,
alguma vontade sentiremos,
mesmo que seja a vontade
de chegar ao fundo do poço.
É ilusão pensar que não se vive,
sentir que a morte chegou...
porque a morte é inconfundível.
Na morte nada existe,
nem a dor existe.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Seco

O dia-a-dia é um algo seco.
principalmente quando não sou
sensibilizada por um certo
momento de graça.
Segue o seco das horas,
dos afazeres de obrigação.
Engulo o seco do desgosto
de fazer um outro gosto.
É como se fosse uma pasmaceira
que pairasse sobre tudo ao redor.
Nessas horas a seco, queria
poder apertar um botão de desliga...
mas nós sabemos que desligar
é proibido.