quarta-feira, 27 de julho de 2011

Grito

Aqui nesta grande metrópole,
minhas palavras, meus versos são indignos.
'Digno' é para os que tem poupança gorda!
Ironias a parte, a verdade é que
meu grito é tão imperceptível, que quase nada se escuta.
De que adianta tanto querer bem,
se não há espaço para os que nada tem?
Quão belo seria:
se respeito fosse diariamente praticado;
se educação fosse o básico;
se liberdade não fosse utopia;
se a violência fosse extinguida.
Essas coisas boas de se imaginar,
são só bonitezas de se ouvir, se pensar.
Porque na prática a realidade fere-rasga-mata!
Não serei tão sonhadora, para não cair do alto:
a violência não acabará;
os assassinatos continuarão existindo;
o preconceito continuará matando por fora e por dentro.
A dor, a exclusão, o desprezo
continuarão existindo, velados ou escancarados.
Vivo tentando viver, oscilando entre
a arte e a realidade das horas trabalhadas por um salário fantasma.
Não vou me iludir porque não tenho tempo.
Vou é arreganhar meus olhos para enxergar beleza,
e abrir minha garganta para o meu grito alcançar quem-quer-que-seja.

as mentiras ditas

Quem não mente ou nunca mentiu? Inclusive para si mesmo?
Tanto tempo se esquivando da realidade....
já era hora de engolir o amargo que é assumir os próprios erros,
as próprias mentiras que foram guias durante tanto tempo.
Para um erro e diante de mentiras, não existem palavras salvadoras,
somente o tempo e a queda de perceber a realidade.
Mas nada é tão perdido, tão podre e poluído. Somos de tudo um pouco.
Quem nunca teve vontade de assumir a merda toda e seguir adiante,
construindo dia pós dia, no rosto, um novo semblante?