terça-feira, 29 de julho de 2008

Meus lindos sobrinhos











Que os ventos soprem para o bem, e os deuses de sei lá onde ajudem-os a encontrar um caminho de pedras menos sangrentas.

Dessas, e daquelas!

Havia uma mãe. Sim, havia. Dessas do famoso cordão umbilical, do leite, da fralda suja. Porém, eu quis mais. E encontrei - daqueles encontros inesquecíveis - uma outra mãe. Era um outro conceito, outras palavras, outros ombros. E pensei: por que não duas mães?! Uma, seria dessas, que já sabemos (e sabemos mesmo!), a outra, daquelas! Daquela mãe que sabe do meu olhar por um outro olhar, que sabe também dos suspiros meus que nosso tempo AGORA pensa, sente e respira, que puxa a minha orelha só porque já lambeu a lama que me observa beijar. E é mãe, porque me ama também no meu fedor (não o das fraldas, e sim, um mais denso, orgânico, íntimo e muitas vezes romântico), me carrega com os dentes sujos da mesma vida que me lambuzo, dialoga no mesmo tom que respiro, com as notas dissonantes, mas com fé no que sou. Uma mãe que inventei para mim - e que invenção real! -, compartilha os meus tropeços e soluços da carne, do azedo, do medíocre, e por tudo isso e mais um pouco, do belo. Sinto que posso ter essa mãe e assim chamá-la (isso porque ainda não inventamos alguma outra palavra que defina esse novo encontro). Mãe porque está e esteve lá: no meu crescer, encolher, no meu rastro (sem perseguir!), no meu corpo, no meu apodrecer, no meu enlouquecer e no meu evoluir. Do meu sexo sabe tudo!! (Será?!) Chamo-te mãe! Inventei o meu novo canto-mãe, para minha mais nova mãe, e agora desafio todos: criemos um novo lar, responsável, para as novas mães, as mães dos dias à dias. Daquelas! que não esquecem jamais, assim como o primeiro colo que ganhamos na vida.

domingo, 27 de julho de 2008

Por um: fazer e arcar!

Arcar com a vida não é coisa que se faz “ali rapidinho”, que se “da uma boa passada” e pronto. Arcar com as nossas escolhas, é saber ter pulso, ter controle da saída do ar que passa pela garganta e ter maturidade para escolher os tons certos nas situações que constroem, é saber controlar os movimentos que as mãos, os braços, as pernas e o corpo todo pode fazer, é compreender o silêncio, é ser maior, é ser gigante, é cruzar os limites do corpo e do espírito. Arcar com a vida, é saber que a partir do momento em que se escolhe ter isso ou aquilo na vida com essas ou aquelas pessoas, independente do grau da relação, tem-se que possuir a consciência de que arcar faz sempre parte das escolhas, arcar ou não, é como fazer ou não. Fazer e não arcar, é cometer um certo suicídio, atraso de vida, botar o ouvido na boca e as pernas na cabeça, chamar consciência de bunda. Um filho, um amigo, uma mãe, um tio, um conhecido, um olhar que se cruzou na rua, um amor... são compromissos de vida, não uma competição de cuspe à distância.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Faz de conta que a terra gira e o coração quer sentir, quer amar, quer viver!

...e nesse faz de conta a gente vai vivendo, superando nossos desejos não realizados, respirando por uma fresta de vida intangível, acreditando no que não se vê, e amando um céu que não nos vê abraçadas. Mas só por enquanto, afinal, a hora da estrela vai chegar, e ninguém vai duvidar. Será? Quero estar bem presente lá para poder tocar, cheirar e deixar a minha água correr solta e viva!...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Da família

Era daquelas firmes, que seguravam com ossos do coração, a filha que era do peito. E do peito também saía o leite amargo, que só era amargo porque era forte, cheio de vitaminas que abrigavam o infante – doente? Já era desde a idéia. A idéia na verdade, foi sempre de pecado e dor... Abrigar, abrigar, abrigar até a tampa! –.
Daquelas de palavras doces, porque doce era a verdade e aquela verdade TINHA de ser doce.
Picolé, sorvete, guloseimas divertidas, eram escolhidas a unhas e colhidas com a pinça. Uma sutileza que só vivendo...
E sutil era como tinham de ser as palavras da pequena criança – já com rugas! – pois qualquer suspiro diferente era sinal de fuga.
Amor muito! Mas era dela e dela e de mais ninguém. E aí do querer!
O querer, a fuga, as guloseimas, a pinça, o infante e a idéia: combinação difícil...!
Era daquelas, como quase todas, que o nó não desatava. Mas era necessário, inadiável, questão de sobrevivência que se construísse um outro nó, ou outros nós. E esse cordão umbilical agora – novo e irremediável – só podia nascer da filha-mulher. Seu corpo já tinha sido batizado pela claridade do mundo, também amargo! A construção de um nó era urgente!
O tempo veloz fincava os pés na terra fazendo um buraco – e chegaria aos dez palmos –. Antes que seja tarde demais e a vida sorria irônica.
O peso era a coragem escolhida.
E o que ardia mais era o amor, o abrigo, o doce, o leite e a idéia que não morrem nunca.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Uma noite dessas!

Nós, numa troca orgânica. Aspirando terra, ouvindo o mato, dialogando com o ar. Num movimento que vai, volta, vem, retorna - dilui continuamente um elo sincrônico. Todas em sincronia, sincronização mútua. Nos levamos, nos abraçamos com braços onipresentes nessa harmonia. Isso é de uma vida tamanha, que me dilato por inteira em paz, um acolher-se - e às vezes encolher-se - numa atmosfera completa de um intenso calmo. Uma calma glorificante, uma aleluia de alegria, e também um silêncio companheiro na vida. Constrói-se assim: instantes, existências e ambientações banhadas a energias sublimes... que só fazem o espírito se deliciar de bem-estar.

*Obrigada aos que proporcionaram tais sensações.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Fôlego Humano

Inicio tentando dizer um pouco do que descobri sobre esse tal de fôlego humano.

"Porque é ele quem nos acorda todo dia dizendo se a vida ainda vai dar pé. Porque se continuamos a construir aquele sonho, mesmo quando tudo vai contra é porque ele nos dá o ar, nos permite prosseguir. Porque se aguentamos a mediocridade das pessoas junto da nossa, se suportamos a desumanidade desses que vivem ao alcance das mãos ou aceitamos ser tapeadas pelas "autoridades" que nos "governam", ou se superamos o ódio dos que nos amam, é porque temos fôlego. Esse fôlego humano, esse humano fôlego vai fazendo a gente ir... Pra onde? Onde o desejo nos levar! O fôlego humano, é o dom de acreditar no bom da vida, no nosso particular bom da vida. Vem da forcinha, passa pela força, atravessa a forçona, e quando esta precisa ser mais forte ainda - pois o tempo é fermento dos pesos difíceis - ela se transforma em fôlego. É ele que sustenta, depois de um dia inteiro de luta, aquele carinho quente da mãe para os filhos, o exílio, o crescer saudável e não enlouquecedor, a sensibilidade extrema dos artistas, o peso dos tijolos, o cimento na boca, o ar poluído, a adolescência, a eterna espera por um amor eterno. É esse fôlego humano que respeita e tenta compreender a humanidade, que nos faz acordar, puxar o fôlego e limpar a poeira e reformar e construir e reconstruir um lar nosso. Esse ato, tão imperceptível aos olhos alheios que às vezes passa despercebido... Fôlego humano! É uma gotinha de compaixão fervida com respeito que daria numa poçãozinha de um viver melhor para muitos. Perder o fôlego? Só se for num suspiro de gozo."