domingo, 26 de julho de 2009

Poema brega para um dia sem expectativas

Deixa eu te olhar um pouco? Hoje o dia calado está, e talvez teu brilho de existir possa batucar meus segundos. Somente olhar-te sem mais quereres. É porque tua forma corpo enche o meu peito de mar. Suas ondulações de vai e vem quando quebram, seja em rocha dura ou na imensidão do azul aquoso, me fazem ver que tudo permanece, como teu rosto no meu olho, que vai direito em minha comoção. Me comove ouvir teu sussurrar baixinho, cantarolando essa melodia meio doce meio arco-íris que faz ondas de calor em meu entardecer. Enquanto isso, o céu vai mudando de cor,eu te olho ainda sem saber se posso, e aquela dorzinha à toa vai se embalando no vai e vem do meu furor e se dissolve toda no saculejar que estes meus olhos permitem-me sentir, e esta minha pele permite-me ouvir, e com os ouvidos posso ver, e com o nariz saboreio. E quem sabe, depois de tanto olhar-te, você queira saber de quem são estes olhos que te refletem no mar.

Um pouco de (a)mar

Dentro do mar despejo
todos os meus anseios.

Tem coisas que gente humana
não sabe dar nome.

Deixo então que o oceano
banhe de respostas marítimas
as perguntas de meu viver.

Dedos de poesia

Em dois dedos de prosa,
cabe tudo quanto é folia.
Folia de dentro, aquela que vem
Do supra-sumo que faz vibrar a vida.

Para a poesia, basta a vida,
para a vida, basta nascer.
Não precisa rima, forma nem diploma,
a poesia vem de perto.
Ela pulsa nas veias da mulher do homem da criança do velho da preta do negão do viado da sapatão do... da....
não pára de nascer a cada instante de vida,
um pedaço de poesia.

Em dois dedos de prosa, mais de vinte dedos de alegria
tesão, tristeza, horror, atitude...
A poesia existe em cada poro que transpira a vida,
em cada pêlo que arrepia a alma.
Sol, lua, brisa, boemia
tudo cabe na folia do coração.
Basta se dar à vida.
E melhor ainda,
se for no embalo de uma canção.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

!?Perfil?!

Sou ser humana, bicho gente. Tenho dentro de mim milhões de caminhos, escolhas, possibilidades e desejos. Ao mesmo tempo que choro de tristeza, tenho imensa felicidade. Me comovo tanto com o pôr-do-sol quanto com uma novela das oito. Mulher? Brega? Estranha? Que se explodão os nomes que me dão! Só sei ser com intensidade, só como se tenho fome, e amo se tenho desejo. Não! Nunca tive nem terei vontade de tocar apenas um corpo, ou de olhar apenas uma maravilha. Sou feita de corpo, alma e suor, quem quiser gostar de mim... sou.assim. Quero quanto mais!, daí me chamam de leonina, egocêntrica, jovem... mas o que farão esses nomes tão engajados pelo meu quereres? Me componho e decomponho a todo instante, e que não me peçam para ser constante, pois a letargia se parece muito com a idéia que tenho de morte. O que sobra de mim acaba sendo esses versos do passado, porque todo o resto é feito da mesma matéria que meu corpo: poeira estelar, grão de arei, pó de madeira comido pelos ácaros. Ardo por dentro; ópio, arte e amor me alimentam e quanto mais escrevo mais vazia vou ficando. Isso que digo ser eu já ficou no tempo foi. E minha luta incessante é manter a chama de dentro acesa; luz quente que borbulha misturando todos os sentidos, temperaturas e estados... até explodir.