domingo, 27 de junho de 2010

vida esquecida

Até meu fim,
eu vou tentando dizer mais sobre a amizade.
Não a amizade de mentira, mas sim,
aquela cujo sentido se entende
na carne, no osso, no olhar, no carinho...
Até meu fim,
eu vou tentando dizer mais da simplicidade.
Não aquela que serve para nos dar status,
mas a que faz a gente chorar e rir de felicidade.
Até meu fim,
vou tentando dizer mais da vida.
Terra, mato, amor e calor humano...
Aquela vida que às vezes muito me dói,
de tanto que vai sendo esquecida.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

mentira

A perda de memória consciente,
é o que mais dói,
pra quem sabe que o outro mente,
e de nossa própria cara
caçoa como um inconsequente.

silenciando

A vida vai silenciando a gente.
Com o tempo, descobrimos que não se pode mais chorar
por um amor impossibilitado de acontecer.
Com o tempo descobrimos que não adianta se revoltar
contra as escolhas de outras pessoas que nos magoaram,
porque na verdade,
nós é que nos permitimos permanecer magoados.
Mas a vida ainda assim vai silenciando a gente,
nossos gritos,
nossos suspiros,
nossos esperneios,
nossas inquietações...
vão se emudecendo e se esvaindo
junto ao balanço da carruagem desilusão.
É. A vida vai silenciando a gente...
e nossas gavetas vão se aglomerando
de passados incompletos
e feridas em aberto,
ao passo de a qualquer momento,
nos esquecermos por completo.

domingo, 13 de junho de 2010

É preciso fluir

Até onde chegamos por uma vontade que nos faça feliz?
Van Gogh colocou a própria mão no fogo e arrancou uma orelha do corpo, - loucura?
Frida Kahlo se carregou e se arrastou até o último limite de seu corpo e sua alma, - libertinagem?
Muitas pessoas amaram, traíram e foram felizes arriscando sua moral, - inconsequência?

Eu sinto que minha loucura foi detida pelos 'bons costumes'.
Mas sei que enquanto não deixar saltar todo esse rebuliço de sentimentos e vontades dentro de mim,
não deixarei minha luz brilhar.
É preciso me libertar de qualquer amarra que me esconda de mim mesma.
É preciso deixar fluir em palavras e atitudes tudo o que ferve dentro de mim.

Gente diferente

Sim!
A vida pode ser diferente.
As pessoas podem ser diferentes.
As relações podem ser diferentes!
Pra que insistirmos em viver soterrados em problemas,
ou limitados pela ganância,
ou imobilizados pelo preconceito?
Não é proibido ser sensível e amar o belo.
Não é proibido sensibilizar-se com o mar,
nem se emocionar com a beleza de lutar
e conseguir um teto onde se morar.
Não é proibido sonhar que um dia
as coisas, de fato, podem melhorar.
Não é proibido deixar-se levar por qualquer sentimento que nos faça brilhar.
Agora me diz, quem foi que apertou o botão 'todos devem ser iguais',
e de repente todo mundo se vestia igual,
pensava igual, embrutecia igual...
e tão de repente quanto,
quem era diferente se tornou indigente,
menos gente e até demente!
Não está certo pegar um monte de gente
e jogar no lixo por puro capricho de quem se acha mais bonito,
mais inteligente mais rico.
Mas o que é isso? Deixa disso minha gente.
Mais e menos só existe na matemática.
Aqui na terra é todo mundo gente,
e talvez o que precisemos, é de uma nova gramática
onde o mais só sirva para
amar mais
sentir mais
sorrir mais
ajudar mais
sonhar mais
respeitar mais
viver mais...


se você não venta, vento eu

O que é isso que me dá?
tão forte que me ponho a transbordar
exalar
respirar
diluir
ventar a vida.
Quanta beleza!
Que força tem essa imensidão diante de meus olhos!
Não quero nunca cegar-me para o remelexo macio do mar,
nem para a inexplicável radiante beleza das montanhas.
Não quero jamais turvar meus olhos
para a estonteante magnitude de tudo que a natureza é.
Esse marzão infindo está banhado de perguntas minhas...
e saudosas lembranças a todo momento vivas.
E na montanha e no mar tem um mundo de pedaços meus,
alegrias
dores
vida de poesia.
(Que fique claro: sou uma pessoa que tem sanidade!)
É que a minha ventania conversa com as águas do mar, com as montanhas
e com todo verde que tenho pra olhar.
E se me perguntarem que loucura é essa
de uma pessoas ventar a vida, respondo sem titubear:
diante da incompreensão de Deus,
da incompreensão do amor, da vida e da morte,
o meu incompreensível eu
pode tudo inventar, até mesmo
inventar que venta sob o luar.

Respira!

Há tantas pessoas,
Há tantos caminhos e possibilidades,
Há tantos sentimentos.
só basta um motivo para que a roda gire,
e faça algum sentido estar ali.
O motivo do aqui e agora aparece
como um presente de vida,
quando olhamos para o lado de dentro de nossas feridas.
Daí encontramos sonhos, derrotas e surpresas
que nos fazem lembrar
de que ainda temos algo dentro de nós
tão forte como o (a)mar.
Nunca vi coisa mais amiga da alegria,
do que ouvir o ritmo que nosso coração
respira.

Nascimento

Nestes primeiros minutos do dia vinte e três de março de dois mil e dez,
anuncio já: estou me parindo!
Não sei bem que espécie de gente humana me tornarei,
mas sinto como se cada fio de cabelo,
cada pêlo, cada pinta de meu corpo estivesse nascendo agora,
nestes mesmos instantes em que eu escrevo.
E percebo que para existir vida em mim,
necessito me parir novamente a cada momento em que o oxigênio
entra e sai do meu corpo.
Me embriago de mim para saber-me.
Por isso derramo tinta poética nesta minha madrugada atemporal.
O que é tempo?
Me encontrei quando desliguei o tempo
e permiti que eu me perdesse em minhas entranhas.
_Encontrar-me em meio ao comichão que trago no peito,
é o sagrado da vida, é o porque de aceitar a morte
e outras dores mais.
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Não queria deixar-me ir embora...
mas sou começo e fim,
nascimento e morte ao mesmo tempo,
seja lá qual for o meu tormento.