Nestes primeiros minutos do dia vinte e três de março de dois mil e dez,
anuncio já: estou me parindo!
Não sei bem que espécie de gente humana me tornarei,
mas sinto como se cada fio de cabelo,
cada pêlo, cada pinta de meu corpo estivesse nascendo agora,
nestes mesmos instantes em que eu escrevo.
E percebo que para existir vida em mim,
necessito me parir novamente a cada momento em que o oxigênio
entra e sai do meu corpo.
Me embriago de mim para saber-me.
Por isso derramo tinta poética nesta minha madrugada atemporal.
O que é tempo?
Me encontrei quando desliguei o tempo
e permiti que eu me perdesse em minhas entranhas.
_Encontrar-me em meio ao comichão que trago no peito,
é o sagrado da vida, é o porque de aceitar a morte
e outras dores mais.
----
Não queria deixar-me ir embora...
mas sou começo e fim,
nascimento e morte ao mesmo tempo,
seja lá qual for o meu tormento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário