Não importa quantas vezes
o mundo vai girar e mudar tudo, pois,
cada vez que a casa me parecer desconhecida,
meu trabalho será reconfigurar o ambiente:
inventar novas decorações,
aprender novos hábitos,
juntar as peças dos sentimentos que me movimentam,
e desenhar uma nova figura
que dê um sentido importante
ao quebra-cabeças que é a minha vida.
De mim, só sei do que quero,
e das coisas que jamais seria
- logo, tenho parâmetros... mas pra quê eles servem? -
quanto às outras coisas,
tudo se vira, revira, transvira
e se modifica o tempo todo.
Por isso, sigo atenta aos detalhes...
talvez um simples detalhe de um dia,
pode nos surpreender de repente com um amor que há muito não se vivia.
Acaso, ou sorte na vida?
O mundo gira sacudindo as pessoas,
e modificando seus espaços.
Eu sigo me conhecendo,
às vezes temendo,
às vezes correndo,
outras em silêncio.
Eu sou o presente de mim mesma,
e me crio nova em qualquer ambiente que eu esteja.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
meu fel, meu céu
Quer saber?
Tenho ódio sim dentro de mim.
Mas não é ódio dos políticos, nem dos ladrões,
nem dos professores incapacitados,
nem da arte fajuta,
muito menos das pessoas fracas
que não assumem sequer o ruído da própria voz.
Tenho um fel percorrendo minhas veias sim,
mas não é por causa de todos os desastres da natureza,
ou pela falta de humanidade e educação das pessoas,
não...
nem por todas as vezes que fui ignorada quando quis ser útil,
nem pelos mendigos que alimentam a piedade mesquinha das pessoas.
Não é nada disso.
Eu tenho um ódio a mim mesma.
Por todas as vezes que tentei ser
sincera honesta justa disciplinada
e fracassei.
Não por ter sido injusta, desonesta, mentirosa ou preguiçosa.
Fracassei porque essa minha vontade de raridades,
me socou no fundo poço (meu exílio) da mediocridade humana.
a MINHA mediocridade humana.
Tenho ódio sim dentro de mim.
Mas não é ódio dos políticos, nem dos ladrões,
nem dos professores incapacitados,
nem da arte fajuta,
muito menos das pessoas fracas
que não assumem sequer o ruído da própria voz.
Tenho um fel percorrendo minhas veias sim,
mas não é por causa de todos os desastres da natureza,
ou pela falta de humanidade e educação das pessoas,
não...
nem por todas as vezes que fui ignorada quando quis ser útil,
nem pelos mendigos que alimentam a piedade mesquinha das pessoas.
Não é nada disso.
Eu tenho um ódio a mim mesma.
Por todas as vezes que tentei ser
sincera honesta justa disciplinada
e fracassei.
Não por ter sido injusta, desonesta, mentirosa ou preguiçosa.
Fracassei porque essa minha vontade de raridades,
me socou no fundo poço (meu exílio) da mediocridade humana.
a MINHA mediocridade humana.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
conto um conto de desencanto
É, às vezes a gente troca os pés pelas mãos. Outras, na pressa em saciar nossos desejos, atropelamos os cavalos. Mas que ironia... pois sem os cavalos, não adianta carroça, não adianta pressa, não adianta mais nem a vontade. Certa vez, lembro-me de presenciar um fato dilacerante, talvez nem fosse pra tanto, mas eu paralisei, emudeci, e acho que morri um pouquinho – por compaixão ou qualquer coisa do tipo. Era uma criança. Linda! Daquelas crianças que te carregam pra outo lugar, bem secreto, dentro do nosso mundo particular. O ambiente favorecia minha percepção excessivamente sensível daquela pequena: o mar, a areia, as pessoas e as vontades mundanas esparramadas por entre as veias da quase insuportável convivência social. Foi aí que tudo começou. Lá vinha ela, uma menininha loira de olhos castanhos brilhantes, olhando o tanto de mundo que ela a poucos anos tivera a chance de ver e absorver. De repente, talvez pela primeira vez, ela sentiu o gosto amargo de viver: haviam muitas pessoas alegres, muitas crianças alegres, e muitas pareciam ter um pedacinho do céu debaixo dos pés com seus super skates e super patins. Não que ela aparentasse se importar tanto com certos bens materiais, não que ela necessariamente tivesse de sentir isso, mas naquele momento ela parou, o mundo parou. Só havia uma linha, quase como um feixe de raio potente fixado em uma outra criança, que até então só sabia do prazer em deslizar, flutuar em cima de seu skate, que a transformava numa super-heroína. Foi aí que ela sentiu o que era ser diferente, e mais, o que era ter diferente. Seus olhinhos hipnotizados, eram tão profundos que podiam ser emprestados à uma mulher de trinta anos acabando de entender sua solidão no mundo. Vendo isso me arrepiei, e coloquei meu foco nela. Seu corpo duro, imóvel, impávido. Por que eu não posso andar também? Eu sentia a incompreensão massacrante dentro dela. De súbito, ela correu e disse: 'Deixa eu andar um pouco?' E foi completamente ignorada. Sua incompreensão do mundo começava a cauterizar. Nesse momento ela soube menos ainda diante sua pequeneza de infante. Ali, eu vi que teus passos já não mais cresceriam leves. Mesmo sem ser autorizada, quando a outra desceu de seu altar para descansar um pouco, ela abriu um gigante sorriso e com toda vida que podia caber dentro dela, pôs os dois pés bem firmes no skate, talvez como Arthur, o rei, ao retirar sua espada da pedra. Eu vi, talvez ela só quisesse sentir, por um minuto que fosse, como era voar ali em cima. A outra criança, com sua herança de sentimento de poder no peito, empurrou meus olhinhos brilhantes, e ao fazer isso tropeçou caindo em cima da pequena, logo atrás uma bicicleta que não pode ser freada, beliscou um pedacinho de sua perna. Instaurou-se o caos completo. Resultado: mães em conflito, arranhões nas crianças, talvez uma perna fraturada, e o pior, o trauma de uma vida edificado, o endurecimento de um sorriso solto marcado e registrado na pele e na memória. Mas por que ela não pediu pra que a mãe alugasse ou comprasse um brinquedo daquele?? Eu pensei. Eu sim, mas ela não. Eu? Sangrei, ardi, me perdi e fugi! Mas deixei um pedaço morto de mim ali.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
constrangido pedido de desculpas
Não pense que foi descaso
com a poesia que lhe é de bom grado.
Não pense que foi maltrato
com a poesia que também carrego no braço.
Não pense que foi descuido
com a poesia a mim presenteada por ti.
Se duas de mim eu tivesse,
uma cuidaria da burocracia,
e a outra faria só poesia
no seu jardim
no seu poema
na sua casa
na sua casa da palavra
na sua casa poema.
com a poesia que lhe é de bom grado.
Não pense que foi maltrato
com a poesia que também carrego no braço.
Não pense que foi descuido
com a poesia a mim presenteada por ti.
Se duas de mim eu tivesse,
uma cuidaria da burocracia,
e a outra faria só poesia
no seu jardim
no seu poema
na sua casa
na sua casa da palavra
na sua casa poema.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
nas entrelinhas dos desencontros
Colo quente pele a pele,
ansiedade de falar,
risos ininterruptos,
olhares subterrâneos,
luz irradiada.
…
Fundou-se o abismo: mais de dois mil quilômetros de silêncio;
o impacto da queda parece ter sido maior que o que chamávamos de amor;
ilhada eu fiquei.
…
Embora o desespero e desnorteio tenham me feito dias doente,
minhas pernas tiveram de endurecer para que eu não parasse de andar;
bastou uma decisão... para que...
o meu coração também se instalasse no estado pedra;
raiva não era o que eu sentia,
apenas desesperança. Talvez confiar seja um mal começo.
ansiedade de falar,
risos ininterruptos,
olhares subterrâneos,
luz irradiada.
…
Fundou-se o abismo: mais de dois mil quilômetros de silêncio;
o impacto da queda parece ter sido maior que o que chamávamos de amor;
ilhada eu fiquei.
…
Embora o desespero e desnorteio tenham me feito dias doente,
minhas pernas tiveram de endurecer para que eu não parasse de andar;
bastou uma decisão... para que...
o meu coração também se instalasse no estado pedra;
raiva não era o que eu sentia,
apenas desesperança. Talvez confiar seja um mal começo.
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