Aqui nesta grande metrópole,
minhas palavras, meus versos são indignos.
'Digno' é para os que tem poupança gorda!
Ironias a parte, a verdade é que
meu grito é tão imperceptível, que quase nada se escuta.
De que adianta tanto querer bem,
se não há espaço para os que nada tem?
Quão belo seria:
se respeito fosse diariamente praticado;
se educação fosse o básico;
se liberdade não fosse utopia;
se a violência fosse extinguida.
Essas coisas boas de se imaginar,
são só bonitezas de se ouvir, se pensar.
Porque na prática a realidade fere-rasga-mata!
Não serei tão sonhadora, para não cair do alto:
a violência não acabará;
os assassinatos continuarão existindo;
o preconceito continuará matando por fora e por dentro.
A dor, a exclusão, o desprezo
continuarão existindo, velados ou escancarados.
Vivo tentando viver, oscilando entre
a arte e a realidade das horas trabalhadas por um salário fantasma.
Não vou me iludir porque não tenho tempo.
Vou é arreganhar meus olhos para enxergar beleza,
e abrir minha garganta para o meu grito alcançar quem-quer-que-seja.
Um comentário:
Sem cabedal, disforme em meio ao vil metal, descabelada, maltrapilha e maltratada... ainda assim, imponente, pq te sobram as palavras, tecidas suave e intensamente em sua longa árida caminhada em busca do real – "a rocha que o poeta lapida". Sim, seus versos são capazes de ecoar pr'além do que quer que seja...
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