quarta-feira, 8 de setembro de 2010

a linha contínua do amor que temos

Quer saber de onde vim?
Quer saber o que eu trouxe de mim?
Tudo! Um punhado de histórias aqui dentro,
uma verdadeira rede de lamentos,
um atordoado coração em tormento,
e grandes saudades carregadas no pensamento.
Quer saber quantas pessoas passaram aqui?
Quer saber em quantas pessoas eu me construí?
Várias!
Vai me dizer que com você também não foi assim?
Aconteceu que você ultrapassou todos os limites,
chegou onde ninguém sequer pensou em me ser abrigo.
Aconteceu que seu impacto gigante no meu infinito,
sacudiu todas as partes do meu castelo particular,
e fez poeira de todas as histórias que teimavam em me orbitar.
O que houve foi algo idêntico a um terremoto,
que destruiu minhas máscaras,
demoliu minha casca,
e cessou meu luto.
O que houve, anjo,
é que fui tocada com suas digitais,
e as partes de meu corpo se fizeram tuas
e eu, de dura, seca e impura
me fiz diante de ti completamente nua,
de cara limpa lavada e excitada.
Diante de ti fui meu tudo e meu nada
incompleta e completa
perfeita e imperfeita.
Não importa qual a forma,
só sei que me nasci em você.
Agora, a casa que habito é o teu abraço,
de pés descalços,
peito, bunda e choro de criança perdida no espaço.
Olho no espelho e vejo teu contorno em meu rosto,
e todo o resto por ti já é envolto.
Qual um rio que não pede licença porque já sabe o caminho,
você se despejou, derreteu, jorrou, escorreu em minhas entranhas.
E não há mais entrada nem saída sem você.
Me tornei seu pertence, porque só assim
essa vida me convence
de que a linha contínua que nos une,
é muito maior que um passado glorioso.
E que se isso é de fato algo que dá gosto,
não há nada que nos possa ser imposto.

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