O ser humano e a vida são as coisas mais abstratas que existem. Nós: bicho homem e bicho mulher, gente, homo sapiens sapiens, temos a capacidade de entender e pensar o universo, mas como explicar a morte e o fim (de tudo)? Nós que só sabemos da vida, dos sentidos, sentimentos e desejos que nela vivemos. O que nos resta é ter fé em alguma coisa: deus, buda, espiritismo... e milhões de grupos que tentam explicar ou achar sentido na morte, na dor e no fim. O que veio antes e depois da vida – e digo em relação a todas as formas dela? Só o que temos são especulações que prometem paz e descanso para depois do fim; talvez sensações nunca sentidas em vida, como se fossemos viver num lugar cheio de luz e esplendor (parece até a bíblia falando né?!).
Eu, em nada do que vem depois acredito. Mas ainda assim, acredito num deus como algum tipo de ‘força’ que existe em qualquer forma de vida, e durante ela só, pois do fim nada sei. Também em vida podemos ter luz e paz, e essa é minha fé, minha utopia: tentar permanecer em momentos de graça na maior parte do que conheço como tempo.
Saber que no fim de tudo nem terei a possibilidade de desfrutar qualquer sensação parecida com as que tive em vida, me põe a querer me entregar ao que amo, ao que me desperta algo que não tem palavras para explicar, mas que muitas pessoas chamam de alegria, paz, tranqüilidade, nirvana... e mais uma porção de nomes inventados. Eu concordo, quero em vida (mesmo que só fossem três dias) praticar o máximo de sentimentos e sensações que me agradam, do gozo ao nirvana.
Enquanto escrevo estas palavras de amor e paz, muitos dizem que o universo está para acabar, muitos passam fome e frio, muitos morrem esfaqueados, e muitas maneiras de se provocar o fim assustam a forma de vida pensante. Eu, também me assusto e desacredito muitas vezes, porém me forço a ter fé e me agarrar em algo que me dê prazer; por muitas vezes choro, mas na maioria delas tento ter fé nos segundos que estou me vendo viva, mesmo sabendo que o fim desconhecido irá chegar cedo ou tarde. Pudera eu saber de alguma fórmula que estimulasse a vontade e o ânimo de vida, mas sou só a tentativa quase constante de ser e estar feliz e iluminada. Do gozo ao nirvana: cada um da sua maneira.
Enfim, já começo a sentir outra vontade, diferente de escrever... e outra, e mais outras.
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