quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

deprê

Tem momentos que minha vidinha besta fica tão sem graça, tão! que chega a ser ruim, que chega a incomodar. Fica sem cheiro bom, sem imagem bonita, sem corpo gostoso. Fica fácil emburrecer-se com qualquer coisinha. Todo acontecimento vira motivo de tragédia, toda palavra sinônimo de grosseria... enfim, o mundo inteiro conspira contra minha felicidade. E eu nem queria tanto, só o suficiente para não me sentir só. Antes da solidão, prefiro a morte. Diante da solidão quero quebrar a casa, chorar até o olho ficar roxo, inventar histórias absurdas... só pra tentar enganar a sensação de estar só. Quanta bobagem: fico fugindo de mim, a única que pode me salvar. Talvez eu não tenha aprendido a me amar o suficiente para me deleitar com a companhia de mim mesma. Será que falta conhecer? Talvez eu tenha esquecido de me apresentar. Pois então, vamos tentar: muito prazer, meu nome é Luiza, tenho vinte e dois anos, e na bagagem um infinidade de quereres. Aí está o problema, quero demais. Quero mais do que minha casa pode dar, quero mais do que meu país pode dar, mais do que um emprego canalha de oito horas diante uma porção de pessoas com phd na arte de humilhar pode dar, acho que quero mais do que eu mesma posso dar. Esse é meu vacilo, minha cilada, minha pedra no caminho. Vou reformular minhas vontades e me acostumar a ter só um pedacinho, só uma porçãozinha, só um espacinho na calçada e na vida das pessoas. Assim, a sensação de estar só não me enlouquece, e fico livre para aprender a me amar um pouquinho mais.

Um comentário:

Larissa de Paula disse...

Quando leio vc, parece que estou lendo uma das minhas escritoras favoritas: Clarice Lispector....
Ora, mas que bobagem.... vc tbm é uma das minhas escritoras favoritas!

Te admiro a cada dia guria...
Um beijo grande! =}