Quando escolho não ser o que disseram para ser, começa a doer. É um parto, um corte, uma pancada. E tudo isso em grande escala: repetidas vezes caio na cilada de seguir as mar(n)ias velhas; repetidas vezes caio no canto da sereia que me convida ser pequena. Tenho medo de assumir minhas diferenças (meus fragmentos) e acabar por ficar só. A solidão assusta, contra ela faz-se loucuras, arrisca-se o próprio corpo.
Venho pensando sobre a necessidade de fortalecer minha densidade para poder abrigar todos os nãos que venho afirmando. É preciso cavar um fosso dentro de mim pra poder enterrar bem fundo as coisas que tanto me sufocam e tão pouco valem tamanho pesar. Eu preciso é pesar o meu fosso (com tudo que desentendo) e deixar longe as frases feitas que me doem. Assim, possivelmente saberei flutuar deslizar escorrer nos gostosos fragmentos do meu presente. Eu preciso é cristalizar e justificar os meus nãos, um a um, coisa que se faz à mão e bem de perto, com o olho clínico do lado de dentro. Preciso pular essa etapa, passar de fase, dar forma ao que não pode ser e ao que escolho pra mim, depois disso me rodear de matéria que ilumina o meu jeito para não me perder em devaneios que ofuscam minha vontade de vida.
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